História do Bairro Amambaí
O Amambaí, reconhecido como o primeiro bairro oficial de Campo Grande, completou 104 anos e é um marco cultural e histórico da cidade. Seu nome tem origem no tupi, onde ‘Amambahy’ possui o significado de ‘propriedade’ ou ‘coisa cercada’. A fundação deste bairro remonta a dezembro de 1921, tendo sido originalmente uma área destinada a militares envolvidos na construção de quartéis e operários da Companhia Construtora de Santos.
Com o passar dos anos, a proximidade com o centro da cidade fez do Amambaí um local preferido pelos trabalhadores que se instalaram ali, atraídos pela infraestrutura emergente e pelas oportunidades de emprego no comércio local.
O Crescente Abandono
Apesar de seu rico passado, o bairro enfrenta hoje um cenário desfavorável, caracterizado pelo abandono e falta de manutenção. Estruturas arquitetônicas antigas, que antes eram símbolo de prestígio e preservar a memória cultural, estão sendo gradativamente deixadas de lado. O aumento no número de furtos, provocando insegurança e medo entre os moradores, é um reflexo direto do descaso das autoridades locais em relação ao bairro.
O Amambaí, que registrou 240 furtos em 2023, agora ocupa a segunda posição no ranking de ocorrências na cidade, atrás apenas do Centro. Esse aumento da criminalidade está ligado à falta de conservação dos espaços recém mencionados e ao crescimento do número de pessoas em situação de rua e dependentes químicos na área.
Insegurança e Furtos
A insegurança no Amambaí não é um problema novo e vem se agravando ao longo dos anos. Moradores relatam que, na última década, a situação piorou, especialmente após o fechamento do Terminal Rodoviário Heitor Eduardo Laburu em 2010. Marco Antônio Costa, um residente há 26 anos, afirma que o bairro era mais seguro no passado e que os espaços públicos eram mais frequentados. “Hoje, é um abandono total”, diz ele.
Vários moradores têm experiências similares e relatam furtos recorrentes em suas residências, o que tem alimentado uma atmosfera de preocupação constante. Neide Ferreira Loureiro, uma residente de longa data, reconhece que o bairro passou a atrair um número crescente de pessoas em situação vulnerável.
Pontos Turísticos Deteriorados
O Amambaí abriga pontos turísticos que, apesar de sua importância histórica, estão se deteriorando. A Praça Cuiabá, o Horto Florestal e a Praça dos Desbravadores são apenas alguns exemplos de áreas que antigamente atraíam moradores e visitantes, mas que agora apresentem estruturas danificadas, sujas e sem manutenção.
Na Praça Cuiabá, o coreto apresenta janelas quebradas e foi encontrado com sujeira acumulada, tornando-se um espaço pouco convidativo. O Horto Florestal, que está fechado desde março de 2025 para reformas, também foi descrito como abandonado, com mato alto e instalações deterioradas visíveis através de suas grades.
A Importância Cultural do Amambaí
Apesar do abandono, a relevância cultural do Amambaí é inegável. O bairro é o lar da única obra de Oscar Niemeyer em Campo Grande: a Escola Estadual Maria Constança Barros Machado. Além disso, é conhecido por abrigar diversas iniciativas artísticas, como a Casa de Ensaio e a Sociedade Lírica Amambaí Filarmônica Villa-Lobos.
O bairro também tem um laço profundo com a música e a arte local. Músicas, como “Morena Que Vale a Pena”, citam com carinho as tradições e os espaços do Amambaí, reforçando seu papel integral no tecido cultural de Campo Grande.
Depoimentos de Moradores
Os moradores compartilham histórias sobre a transformação do bairro. Marco Antônio, Neide e Osmar Dias, entre outros, relatam um aumento significativo nos furtos e na deterioração do espaço urbano. Enquanto Marco destaca o sentimento de insegurança, Neide reitera que, antigamente, havia mais vitalidade na comunidade, com frequentadores nas praças e nos espaços de lazer.
Esses relatos enfatizam a luta constante dos moradores para preservar o que resta de um bairro que foi um modelo de vida comunitária.
Projetos de Revitalização
Recentemente, alguns projetos de revitalização começaram a ser discutidos para reverter a situação de abandono do Amambaí. O Horto Florestal deve ser reaberto ao público em 2026, após passar por reformas planejadas para melhorar sua infraestrutura e acessibilidade. A antiga rodoviária, que também está em processo de revitalização, deverá se transformar em um espaço que abriga órgãos públicos e salas comerciais.
Arquitetura do Século XX
A arquitetura do Amambaí reflete um passado rico e variado, com várias casas e edificações que oferecem um vislumbre da história da cidade. O traçado viário, elaborado por Camilo Boni, é reconhecido por sua eficácia em evitar enchentes, uma característica que, embora mantenha sua funcionalidade, está em risco devido à falta de manutenção das vias.
Desafios da Comunidade Local
Os desafios enfrentados pela comunidade do Amambaí incluem a insegurança crescente e a deterioração dos espaços públicos. Os moradores, que frequentemente se reúnem para discutir melhorias e soluções, se sentem frustrados com a falta de atenção do poder público, que, segundo eles, falha em atender às necessidades de revitalização e segurança na região.
O Futuro do Amambaí
A esperança de um futuro melhor para o Amambaí reside na implementação efetiva dos projetos de revitalização e na restauração da segurança. Com a população local ativa e disposta a lutar por mudanças, é possível que um novo capítulo comece, trazendo de volta a vibrante vida comunitária que já caracterizou o bairro. O compromisso em trabalhar em conjunto com as autoridades pode resultar em melhorias significativas, permitindo que o Amambaí retome sua posição de destaque em Campo Grande.



